sábado, dezembro 08, 2007
COMO FOLHAS AO VENTO
E já entrou dezembro, enquanto este novembro se descortinara sombrio, mas de repente tudo parece ter serenado, apesar de que feridas mesmo cicatrizadas sempre permanecem como marcas nos caminhos. Voltamos a conversar mas agora tudo que foi tão intenso começa a me parecer distante e um tanto irreal. Acho que aqueles momentos tão nossos, ternos , parecendo tenra verdura recém colhida, já não têm vigências em nós. Somos agora adultos nessa caminhada. Ficam para trás aquelas efusões que pareciam nascer de um universo à parte de nós mesmos, um lugar onde ainda ninguém tivesse tocado, um paraíso a ser
descortinado. Nos perdemos dele ou ele é que nunca existiu? Paraísos são fugazes sítios onde fazemos morada provisória e onde deixamos a fantasia nos resgatar em nossa perdida integridade de seres sonhadores de outra natureza para nossos corpos de uma solidez um tanto incômoda. Então desejamos fluir, ganhamos asas e voamos sobre nossas limitações. Seres sonhados, esvoaçamos em torno da luz na dança do amor, da superação dos limites . E, quando as luzes se apagam, nossos vôo vai perdendo força e então caímos como folha de papel na ventania, lentamente, sem pressa de chegar ao solo frio e desconcertante que sempre nos aguarda.
sexta-feira, dezembro 07, 2007
B E I J O ( N O ) S I N G U L A R
" ...foi em um dia muito distante, há mais de vinte anos, eu sonhei com você numa noite de festa, em que usei luvas brancas de cetim e um lindo vestido azul. Mas você não apareceu e agora, quase esquecida do sonho, percebi de repente que a vida me pregou mais uma peça, colocando você tão visível, tão aconchegado, tão real, mas a mais de mil quilômetros de distância..."
Eu beijo você no singular, sim,
de uma singular forma, que guardei
só pra dar a você, neste momento
e este momento de um tempo
que se recria em presentes infindos
está clamando por encontros
está soprando ao meu ouvido
um sussurro endemoniado de
prazer e deslumbramento...
Quero você pra sempre em
nossos estranhos caminhos.
Quero você inteiro e adivinho
o teu cheiro como o cego
percebe a cor, tocando formas,
como o surdo escuta os silêncios
e descobre neles vibrações reveladoras.
Quero o teu beijo no singular, olhos fechados
ou abertos, ah, adivinho o brilho
e a intensidade do teu olhar (faminto)...
E se minhas mãos tremem e minha
mente se confunde só em ver teu
nome escrito trazendo mensagem,
então como falar que isso é virtual?
A linguagem do meu corpo é real
as mãos frias e trêmulas são reais,
o coração acelerado não é real??
E o meu beijo no singular torna-se
real quando você o recebe
e me beija também...
... REAL...singular, "singularíssimo"...
quarta-feira, outubro 24, 2007
em asas de cigarras cantadeiras no verão!
E quem colheu sua flor, viveu seu momento,
seguirá em frente tentando a sorte na nova estação.
E quem muito quis, mas não fez sua hora, ficará tão só,
e tudo que terá restado
será o frio de horas vazias,
retalhos descosturados
e uma dor funda dentro do peito sem remédio...
sexta-feira, outubro 19, 2007
... e eu gosto quando você vem nesta tua madrugada das três da manhã e me abraça com palavras "amanhecentes", me deixa um beijo nesta janela onde ao acordar inda agora, seis da manhã, venho receber um bom dia que me esperava quietinho, caloroso, instigante, (você é perigoso...!) E eu gosto de me "queimar" neste fogo que você provoca assim tão mansamente, um verdadeiro paraíso entre labaredas...
Beijo,
mais beijo ...
segunda-feira, outubro 15, 2007
VOA ÀS DISTANTES ESFERAS
LÁ ONDE A MÃO NÃO ALCANÇA
E ONDE AS ÁGUAS CRISTALINAS
RUMOREJAM NAS CASCATAS...
VAI E VOA UM VÔO ESPREGUIÇADO
UM VÔO DE SUPERAÇÃO
COM ASAS DE VELUDO
E OLHOS DE CRISTAL
VOA SINUOSO E VADIO
SOBRE AS MAZELAS
DESTE MUNDO...
LEVA CONTIGO A ESPERANÇA
DE DIAS ALVISSAREIROS
E NOITES ENCANTADAS
PAIRA SOBRE AS MADRUGADAS
O DIA VIRÁ COM SEUS
CAMINHOS ENTRECORTADOS,
E VOCÊ ESTARÁ FINALMENTE
LIVRE, VÔO RASANTE,
SORRI DO VELHO MUNDO
LÁ EMBAIXO...
Daí a importância da conservação de prédios antigos, da não destruição sumária de tudo que constituiu nosso espaço vida em tempos passados. E para as novas gerações é importante essa ligação entre o passado e o presente que é possível com a existência de museus, bibliotecas, mas os prédios, as ruas, tem sua dinâmica e andar por caminhos antigos é pisar o chão de nossos antepassados, é recriar no imaginário a memória com a qual vêm os valores e a visão de que não caímos neste lugar de pára-quedas, que somos parte de um processo, que somos resultado de uma longa caminhada. E que nossos atos se projetam sobre o cenário da vida e podem tanto construir quanto destruir. E essa mentalidade individualista surgida com a tal globalização está construindo uma sociedade egoísta, cruel , separatista e quanto mais cresce a divisão do espaço, quanto mais os condomínios fechados se isolam, mais cresce o sentimento de desigualdade entre pobres e ricos, tornando cada vez mais fácil considerarem uns aos outros seres de espécies diversas. Sendo assim, matarem-se uns aos outros, fica algo bem mais banal e corriqueiro, especialmente quando a pobreza cresce no país e multiplica os filhos de ninguém Outro dia eu transcrevi um texto da Nina Horta onde ela falava sobre os bairros de outrora, que é onde as pessoas das cidades grandes tinham uma espécie de cidade pequena onde todos se conheciam, conversavam e onde possivelmente pobres e ricos se tocavam. Quando eu era menina, a gente podia passar defronte às casas finas da minha cidadezinha, podia até ver para dentro delas, através das cortinas, pois não havia esse apparteid geográfico que isolou as pessoas em guetos de acordo com sua classe social. Pois como falou a Nina, até casas muito humildes estão gradeadas como fortalezas, o que dificulta o relacionamento e impede qualquer exercício de boa vizinhança. E quem está do lado de fora da grade muitas vezes não oferece perigo, poderia ser um contato interessante, mas fica também constrangida de ter acesso e passa reto. Dessa forma perdemos todos, os que se fecham, os que passam.
Estes cenários são uma triste consequência da ganância de muita gente que não pensa duas vezes em espoliar os outros para juntar uma fortuna maior. Desde o mais simples funcionário até o mais rico dono de empresa, fica bastante óbvio que existe sempre o desejo de ganhar, de "vencer" na vida, não ser um "looser" e isso passa pelo viés da arrogância e usura, da mesquinharia e egoísmo irracional, de uma compulsão a querer ter em detrimento de ser. A lógica da maioria das pessoas é bastante predisposta a raciocínios em benefício próprio, o meu separado do resto, preservado com vigilância redobrada. E enquanto tantos se dedicam a amealhar suas coisas, a vida se esvai, o tempo de ser feliz encurta rapidamente e tantos momentos interessantes ficam só no campo das possibilidades remotas e inatingíveis. A vida é um sopro, não vamos desperdiçar a chance de viver intensamente, e vibrar positivamente até o mais fundo de nossa condição humana. O resto é papel picado que se perde pelas sarjetas...
sábado, setembro 29, 2007
UM VESTIDO BRANCO NO DESERTO
Ela chegou até aquela porta em forma ovalada tendo se esgueirado pelas estreitas ruelas, abrindo passagem entre a multidão que se movimentava sem nenhuma ordem naqueles espaços apertados, divididos com as tendas dos vendedores de tapetes, cerâmica e todo tipo de produtos existentes naquela região desértica. Usava um vestido branco de tecido leve e seus olhos buscaram ansiosos o espaço ao redor, como para se certificar de alguma coisa. Enfim empurrou a porta e entrou. O interior era claro e sem nenhum conforto. Havia uma mesa lisa, cadeiras rústicas e uma cama de onde um homem ergueu-se sorrindo e estendeu-lhe as mãos. Olharam-se por um breve istante e então um beijo longo os uniu, sendo seus contornos realçados pela intensa luz vinda de uma janela ao fundo, coberta por leve cortina transparente. Haviam esperado muito por este encontro após semanas, onde foram reconhecendo um no outro o nascimento de uma paixão tão ardente quanto aquele sol que queimava o deserto. Ele levou-a para cima da cama e num gesto baixou seu vestido pelos ombros e o fez com tanta vontade que acabou rasgando o tecido. Houve um momento de hesitação em que se olharam intensamente, primeiro surpresos e em seguida totalmente envolvidos por aquele fogo que queimava a pele e que os fazia impacientes há dias em realizar aquele encontro . Terminaram de se despir, enquanto procuravam-se desesperadamente, numa urgência aumentada por dias de espera, de olhares intermináveis quando reunidos em grupo para conversar, beber vinho e em que se continham a custa de muito controle, devido à presença do marido dela e de amigos que procuravam nesses momentos ouvir sossegadamente o som da própria língua, perdidos naquela região tão exêntrica para seus hábitos ingleses. Um vaso de flores amarelas sobre a tosca mesa, veio a ser então testemunha da tempestade cujos raios fulgurantes iluminaram tudo, quando aqueles corpos finalmente nus e entregues ao prazer de se possuirem encontravam seu êxtase. E assim ficaram por longos momentos até adormecerem profundamente. As orações vindas da mesquita acordaram-nos e ela saltou apressada vendo que já anoitecia. Ele, com muito carinho, passou a mão pelos seus cabelos, beijou-os e depois as mãos brancas nas palmas, e indicou-lhe uma pequena caixa de onde retirou linha e agulha. Pegou então o vestido com todo cuidado e com agilidade inusitada foi costurando o tecido rasgado, enquanto ela esperava sorrindo, vestida com suas roupas íntimas. As flores amarelas sorriam também. A cortina leve estremecia com suave brisa que já prenunciava o frio da noite. Terminada a costura, ele desceu o vestido pelo corpo da amada, pegando em seus braços, primeiro um, depois o outro, e passando pelas aberturas com cuidado. Cada gesto revelava agora uma ternura só possível entre pessoas que vivenciaram juntos o verdadeiro encontro das almas através dos corpos. Então ela se ergueu e beijaram-se longamente. Ela ainda olhou para trás ao abrir a pequena porta, e depois sumiu no burburinho que a noite iluminara com lâmpadas espalhadas como estrelas amareladas nas trilhas do mercado. Uma imensa lua cheia olhava pensativa para baixo, na sua sabedoria de velha dama que conhece os labirintos do amor e da vida. Mas nada poderia mais apagar a intensidade que unira os amantes para sempre, pra muito além dessas trilhas passageiras...
terça-feira, setembro 25, 2007
Estava pensando em me candidatar a uma oficina de literatura. Seria uma forma de fugir da mesmice dos meus dias e oportunidade de crescimento e renovação. Mesmo aqui na Faccat, faculdades de Taquara, existem cursos livres. Pra começar, serve. Viu só? Você já me provocou o suficiente. Eu até falei que vou começar a frequentar um certo sarau de literatura que acontece uma vez por mês aqui na cidade. Eu preciso baixar a guarda e ser menos seletiva, do contrário vou mofar para sempre nesta casa. Afinal, se os versinhos não forem muito ruins e até há um piano por lá, quem sabe eu não acabe gostando?
segunda-feira, setembro 24, 2007
Eu sempre gostei mais de fazer figura humana, não te contei das japonesas que pintei numa parede daquela casa antiga, onde morei até os dezesseis anos? Ainda bem que a minha mãe achava maravilhoso tudo que os filhos faziam e deixou sem problemas. Falando nisso, lembrei da sensação ao fazer aquele trabalho, aquilo que você falou com tanta propriedade nas escriturinhas, sobre o tempo em que as coisas aconteciam como mágica. Pintar naquela parede me trouxe uma sensação de que tudo seria possível, como se, daquele momento em diante, eu tivesse adquirido um poder especial, eu me senti plena, invencível, e tinha apenas treze anos. Preciso com urgência encontrar uma parede e abrir uma trilha nesta mata fechada que eu tenho visto à minha frente. E você se mostrando interessado por meus desenhos me deu uma grande alegria, hoje realmente é um dia lindo, porque o céu está limpo, há finalmente sol, coisas pendentes e uma que já tem dez anos, estão se resolvendo, eu recebi uma amável cartinha pela manhã e vou aproveitar ao máximo essa possibilidade de me sentir em estado de graça. Que você tenha também um ótimo dia !
sábado, setembro 22, 2007
ALEGRIA CIGANA, ALEGRIA INSANA
Esta música está em sintonia com meu estado de alma, estou vibrando em alegria húngara, se me entende, alegria cigana, sou mesmo uma cigana disfarçada de mulher comum. Ai , eu me adoro assim, totalmente insana, eu estou muito feliz, feliz, por estar viva, eu estou vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Tá certo, eu bebi muito vinho, dei muita risada, comi pizza com a gurizada, após ter me emocionado com um filme água com açúcar. Eu sou assim, bem assim, nenhum mistério insondável, alegria à flor da pele, após um dia de danação, eu sou assim, rio e choro em sequência e não me importo com a opinião de quem quer que seja. Estou do lado de cá dessa linha que você agora inventou, uma linha de contato inodoro e insípido? Ou uma linha de choques e explosões de sentimentos que não conseguimos conter? Tá certo, eu bebi muito vinho, os meninos até me filmaram dizendo bobagens, nós nos divertimos muito, muito, e eu navego nessas águas de juventude que eles deixam inundar minhas tristezas e logo estou mais leve, estou mesmo com uma sensação de vinte anos. Você bem que podia me fazer uns versos, uns versos bem bonitos, sem aqueles urubus agourentos ou o peso de lembranças e entulhos do passado. O passado é entulho que atrapalha. A vida está começando agora, na luz daquela estrela que vi ao abrir a janela, a vida começa nas esquinas todos os dias, nos olhares esperançosos, na trilha recém aberta, na grama recém plantada no meu jardim. Um novo dia começa a cada vinte e quatro horas e não vemos como o sol surge a cada manhã por estarmos muito ocupados com nossas coisas, nossos afazeres. Eu queria somente dançar pelas ruas, gritar, dizer palavrão, ah como eu queria, sim seria tão bom , eu não bebi todo esse vinho em vão, eu o bebi sabendo ser ele meu companheiro que sempre me socorre, sempre me faz transbordar, sair pelas bordas, e me sentir viva, muito viva para amar, amar muito, amar a vida, dançar meu tango particular.
Ah, o tango, beijos à luz de velas, perfume de jasmins, um vestido branco esvoaçante , sandálias leves e cabelos perfumados de cheiros agrestes. VOcê não gostaria de dançar comigo mesmo? A vida é um sopro, logo não restará ninguém nesta sala, as plantas estarão ressecadas, o piso empoeirado e o vestido restará esquecido em um móvel qualquer. E de nós só restarão as palavras, tantas palavras escritas, tantas vibrações contidas, você não quer mesmo dançar comigo?

Hungarian Dance No 5 (clique para ouvir)
ESTA HÚNGARA DANÇA
Alegria húngara, alegria cigana,
salto no escuro, beijos ao luar,
risadas, gritos, explosões de estrelas cadentes,
beijos na mágica noite de lua cheia,
mãos trêmulas, alma à flor da pele,
quero você com alegria de cigana
dançando com seu vestido de muitos panos,
com seus cabelos sedosos e cheirando alecrim,
girando, girando muito ao som dessa música
que enlouquece, que faz vibrar ,
girando nesta húngara dança
quero você no meu abraço, quero
você no meu laço, meu homem,
quero sua ternura em versos,
quero sua bravura e seu calor,
quero você como a flor que se
oferece ao doce orvalho da madrugada
no simples ato de cumprir seu destino,
na simples bem aventurança de ser
parte do mistéiro das noites que se
perpetuam por séculos,
simplesmente, sem recados,
sem avisos, sem condições...
Ouça essa húngara dança que
se expande pelos jardins
e exalta a vida em todas as sete cores do arco-íris!
Ouça essa húngara dança, mistério e doçura
através dos séculos,
coreografia das almas enamoradas,
chama jamais extinta,
chave mestra de todas as portas,
aconchego de corpos apaixonados,
raio de sol, verdes campinas,
cobertas de flores amarelas,
quero você meu amor,
quero seu beijo cálido e fremente
ainda esta noite, ah quem dera...
nós dois nessa húngara dança
a girar pelos campos em flor
a girar, girar, girar...
sexta-feira, setembro 21, 2007
Entrei na avenida
tão comprida,
fiquei à mercê
de toda a artilharia
quem diria!
estremecendo de pavor
com as mãos cobrindo
meu derrière ali na pontaria.
Segui em frente
não sem muito medo
de sentir as balas
zunindo e os torpedos
e eu ali de bunda em riste
sofrendo mui calado e triste
o ataque deste povo azedo.
Fiquei na reta do inimigo.
Querendo disparar, não posso,
desvios não há, é só perigo...
Meu Deus vou rezar um pai nosso,
que a coisa é séria, to perdido,
lá atrás diviso o arsenal medonho
e as pistolas com seu cano erguido!
Estava eu lá bem sentadinho,
tão bem guardada a minha entrada,
"entrada não, é só saída"
isto já era, agora to perdido,
andando a esmo na avenida
e o meu na reta sem saída!
Ouço zunir do inimigo a lança,
com pontaria para mim avança,
já sinto o ardor da vossa impiedade
célere entrando pela minha intimidade.
Levarei pra mais de mil desses vis dardos
que a reta é longa
e o traseiro largo,
um belo alvo de ebúrnea cor,
lua gelada de tanto pavor!
Quem tanto fez, tal qual aquele rato
que ao moinho tanto foi e então,
ele acabou perdendo seu focinho,
e eu assim nesta batalha inglória
fico na lama sem qualquer vitória
e de lambuja perco o busanfão !
Pois vejam esta triste hitória
peleja desigual, que lástima,
por que fui eu mexer com o vosso,
que poderoso sois e eu pobre moço,
ainda imberbe, meio bobo e fraco,
quero que apenas poupem o meu saco,
que ainda hei de ter família,
não fui só eu que lhe comi a filha!
Atrás de muitos se bandeava ela,
querendo ver nossas intimidades,
dizia a todos que se casaria
com o mais dotado, tudo em segredo,
muito dinheiro seu pai com muito gosto
daria aos dois depois do anel no dedo!
Todos fugiram pra bem longe agora
só fiquei eu, me salvem nesta hora!
Por que caí nesta armadilha,
nem foi tão bom, quando ela,
meteu as mãos embaixo na braguilha,
olhou aquele pirulito armado,
fez um muxoxo e disse este coitado,
com essa cara de pastel sem carne!
ANDRÉ GONZALES
quinta-feira, setembro 20, 2007
... Então escrevo para fazer "um simples registro " da grande emoção que tem sido ter você na minha casa virtual, e da grande transformação que se realiza em mim percorrendo as trilhas que vai abrindo à frente, com seus escritos, com suas cartas. E o que você talvez não tenha percebido ainda é que nesta aparente "fuga" de si mesmo, nesta inquietação que o leva a sentir-se sempre dividido, você está na verdade construindo uma pessoa nova, até a última centelha de vida, pois é assim que acontece àqueles que não se conformam em viver como boi carreiro, ruminando a existência, àqueles que descobrem a duras penas como ir se livrando dessa couraça de medo dentro da qual se debatem. E à medida que a vida vai virando morte, dessa armadura imposta vão arrancando os pedaços e vão se livrando dessa idéia falsa de "inteireza" que os fazia prisioneiros. Isso realmente assusta, faz a mente espernear na sua lógica comprometida com preservar o entulho acumulado por anos de ruminações de renúncias, de desencontros , mas precisamos nos livrar logo de todos os nós destas amarras e perceber que não somos aquele que pensávamos ser. Você não é mais quem foi em outros momentos. Uma obviedade que é difícil de engolir. Você dividido em dois mundos quer, na verdade, evitar o encontro com a nova pessoa que já é, e aguarda ansiosa por você. Eu luto por algo, não arredo pé de tal intento. Eu luto por entrar no labirinto sem nenhum fio para me trazer de volta. Pelo menos no plano das idéias já ficou claro pra mim que preciso me perder sem medo, claustrofobia reveladora esta minha, para encontrar todas as saídas. E já comecei a arrancar com os dentes a couraça que me tolheu os movimentos e fez da minha beleza de ser humano um ser disforme e arredio. E isso dói muito. Ah, isso dói. Mas é um caminho sem volta. Já me fiz ao largo, quem sabe o teu barco cruze com o meu... viajantes que somos nesta dobra do tempo. E em gostando de você, de um jeito ainda novo pra mim, sei que estarei aprendendo a gostar de mim mesma, uma unidade possível? E aprendendo com você a conhecer o outro, aquele ser masculino que sempre me fez recuar, eu vou reconstruindo dentro de mim a imagem de homem que eu não soube apreciar durante a vida, uma pena... Você dança comigo este momento? ...
sexta-feira, setembro 14, 2007
(agradeço, mas dipsenso esmola)
Egos inflados adoram reverência. Adoram gente virando tapete pra eles pisarem . E, de preferência, tapetes com grande valor, não qualquer tapetinho reles de material sintético. De preferência um tapete de muito boa fibra, bonito, aconchegante, paciente, aquiescente. Sim, aquiescente. Esta é a palavra bonita pra significar subserviente. Mas o ego inflado que é realmente inteligente ostenta a mais deslavada simplicidade. "Imagina, quem sou eu para?" ou, "você nem olharia pra mim", ou "oh, não é preciso um grande intelecto, o que vale é o interesse em aprender..." . Nesta hora fica subentendido claramente que ele será o "professor". E aí você vai virando platéia na maior, vai virando tapete na boa, até que um dia você se toca e dá o estrilo. Se então você ameaça de se puxar da sala, aí vem aquela conversa de "mas você não me entendeu..." eu gosto de trocar idéias com você, não quero que você desista, e, afinal, não é sempre que você vai encontrar alguém que se disponha a trocar idéias, a ouvir suas histórias" Enfim o que ele não diz mas fica bem claro é que ele te fez o grande favor de te deixar paparicá-lo, de escrever pra ele incansavelmente, mesmo quando ele se mantinha ausente por dias. O que ele não diz é que adorou estar sendo mimado esse tempo todo por uma pessoa interessante , inteligente, atenciosa, paciente. E mulher. Ele só vê o grande obséquio que prestou a tua insignificante pessoa do interior, quando o ego mora numa grande cidade, já morou no exterior, tem vivências pra despejar sobre você e te deixar muda e humilde, bem do jeitinho que lhe faz gosto. Danem-se todos, eu quero minha vida de volta... agradeço, mas dispenso sua esmola...
quinta-feira, setembro 13, 2007
POR MADAME SATÃ

MIAUUUUUUUUUUUUUU.... Vocês lembram de mim? Eu sou o gatinho daquele retiro de velhinhos, aquele que estacionava ao lado do pobrezinho que iamorrer em seguida. Vai ver, algum herdeiro esperto me colocou lá e matou alguns entre os quais por acaso estava o seu querido progenitor . E depois inventou a história do bichano agourento, eu hein?? Mas a História está cheia de casos de matanças em lote como o fez a mãezinha do Imperador Nero, já que os outros estavam atrapalhando a passagem do seu filhinho e a imperatriz da China que mandou matar até o próprio neto, não me perguntem de qual dinastia, se Ching ou Ming, que isso pra mim é porcelana.
A última dos Sates vem na crônica de Doca Ramos dos CCC. Ela fala que eles estão testando um rato em laboratório que está com aquela doença que no Brasil só rico tem: o TOC
Não é o cúmulo do esnobismo? Enquanto por aqui se morre de doenças curáveis, de fome, eles têm um rato com TOC!!! Imaginem o roedor, cruz credo, imaginem ele evitando pisar nas linhas do piso... e ... tá bom, tá bom...
PARA VIVER UM AMOR É PRECISO CORAGEM
Enfim tudo termina mesmo, por que ficamos sempre tão estarrecidos e desesperados quando um sonho se desfaz como neve ao sol? Ninguém nos obriga a nada, somos nós que nos atiramos mesmo com muita relutância a uma irresistível miragem impossível de ignorar? Somos nós que colocamos nossas carências ao sol, esperando serem preenchidas por brisas suaves, aromas exóticos, águas refrescantes e renovadoras. Asas ao vento, esperando alçar vôos magníficos. E voamos sim, voamos alto tendo sido agraciadas com uma brisa acolhedora e um vento encantador.
Dias de sol, dias de primavera fizeram rodopiar as folhas secas, afastaram as tristezas, descortinaram horizontes e fizeram acreditar que obstinação e zelo pudessem preservar o tênue laço, a tenra planta nascida após muita dedicação e paciência. Triste engano. Nada sobrevive à inconsistência promovida pela distância entre as pessoas. Nada sobrevive à tantas repetições de logon e logoff. Fica provado então que somos humanos demais para conseguir preservar um sentimento sem a presença física. Humanos demais. Isto pode ser traduzido como incrédulos, inseguros, impacientes, orgulhosos e fracos. Principalmente fracos. E talvez sem a convicção de nossos sentimentos suficientemente fortes para ter a coragem de virar o jogo. Duvidaram dessa minha capacidade. Mas eu creio que a teria. E tenho. Falta encontrar alguém que tenha a coragem suficiente de acreditar. E de merecer o que estou oferecendo.


